O Código de Defesa do Consumidor (CDC), conjunto de normas jurídicas que no Brasil regulam todas as relações de consumo, ao longo de mais de três décadas, não só criou uma maior conscientização nas pessoas, como também fez do consumidor o grande protagonista do mercado, e hoje sua vontade literalmente é lei.

Empresas do mercado imobiliário são pioneiras na criação dos departamentos de relação com o cliente/Divulgação

Diante disso, empresas se adaptaram e estão de olho não só nas tendências e novidades, mas principalmente no que o consumidor quer. Com o CDC e o maior acesso à informação, o que se tem hoje é um cliente exigente que dita as melhorias que deseja. Acostumadas a lidar com um dos bens mais caros que uma pessoa costuma comprar em sua vida, empresas do mercado imobiliário estão entre as pioneiras a criar os departamentos de relacionamento com o cliente.

Acumulando quase três décadas de atuação no mercado imobiliário, Ricardo Teixeira destaca que o consumidor, em especial o do mercado imobiliário, tem hoje uma forte arma a seu favor: um maior acesso à informação. Para o executivo, ao passar pela internet e as redes sociais, o cliente hoje chega a um estande de vendas muito mais municiado de dados técnicos sobre os empreendimentos.

“O consumidor é o grande protagonista das melhorias alcançadas nos projetos ao longo dos últimos anos. E não é só por estar comprando um produto de alto valor, mas também por ter muito mais acesso a informações, os clientes do mercado imobiliário têm feito sua vontade valer, e isso é muito bom, pois se alcança altíssimos níveis de satisfação”, destaca.

Teixeira afirma que quase todas as tendências que se seguem nos modernos projetos nasceram no que os clientes querem e exigem. “Hoje, por exemplo, buscamos a retomada de varandas, privilegia-se a iluminação e a ventilação naturais, áreas comuns que trazem mais elementos naturais ou um paisagismo que prioriza a biofilia. Todas essas são mudanças que chegam aos modernos frutos da exigência de um consumidor mais consciente e que prioriza a moradia como importante componente de seu bem-estar”, avalia o diretor da URBS.

Com avanço da legislação a vontade do cliente é lei/Divulgação

Normas de Desempenho

Ainda dentro do mercado imobiliário, o protagonismo do consumidor na concepção dos projetos ajudou a criar em 2013 o maior e mais completo conjunto de normas técnicas para construções residenciais (casas ou apartamentos): a Norma de Desempenho – ABNT 15575 ou simplesmente Normas de Desempenho.

Bastante ampla, a NBR 15575, como também é conhecida, estabelece parâmetros técnicos para diversos requisitos importantes de toda e qualquer unidade habitacional, como desempenho acústico e térmico, durabilidade, itens de sustentabilidade e segurança, garantia e vida útil de estruturas e sistemas, assegurando assim um patamar de qualidade mínima para cada um deles. A norma também tem como características estabelecer as responsabilidades de todos os envolvidos na construção da edificação: construtores, incorporadores, projetistas, fabricantes de materiais, administradores condominiais e os próprios usuários.

Para a arquiteta e diretora da Norden Arquitetura, Sarah Jorge Cascão, a Norma de Desempenho veio como um grande benefício para o consumidor, pois estabelece um padrão universal no País de qualidade e durabilidade aceitáveis para as construções. “Claro que há muito para melhorar, justamente porque se está ainda na primeira edição, e algumas partes até sofreram revisão neste ano, pois se percebeu que com a aplicação dessas normas nos projetos, algumas deram certo e outras não. Mas entendo sim que é um grande ganho para o consumidor, porque é mais uma garantia e segurança, além do próprio Código de Defesa do Consumidor, que a pessoa tem para se fazer a aquisição de um imóvel que lhe trará conforto, segurança e durabilidade”,explica a arquiteta.

Sarah também avalia que hoje o consumidor, em especial o do mercado imobiliário, tem muito mais acesso à informação e isso se reflete em um consumidor não só mais exigente, mas também bem mais consciente. “Acredito sim que, em grande parte, esses novos projetos que prezam mais a sustentabilidade são uma exigência desse consumidor mais consciente, além claro de todos os benefícios que o uso de itens como, o reuso de água e uso da energia solar podem trazer para o bem comum”, avalia.

Fonte: da Redação/Assessoria